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sábado, 1 de dezembro de 2012

PROCURA-SE


Duas pessoas, pode ser também para apenas uma, de bons costumes, tranquila e que saiba se relacionar bem com todos, apesar de morar sozinha isso é importante, pessoa sem vícios, que estude e trabalhe, ou um dos dois, tenho preferência por pessoa que goste de um lugar sossegado e silencioso, sem cachorro, gato, peixinho ou papagaio, outros perfis de pessoas também me interessam, senh
ora, rapaz, garota, estudantes ou não, o importante é não passar muito tempo em casa, em fim, procuro pessoa(as) decente(s) para dividir apartamento, alugo um quarto, para duas pessoas, que pode ser uma, como disse anteriromente, no Flamengo, lugar, tranquilo, legal, ambiente familiar, arejado, farta condução, tenho por costume andar de bicicleta aos finais de semana e assistir filmes a noite, tenho carro que também posso alugar, assim como a bicicleta ou os filmes, TV, internet, máquina de lavar, microondas, cozinha e lavanderia equipada, que podemos combinar o valor para você usufruir de tudo sem problemas, conheço muito bem o bairro, também trabalho como guia turístico, você também pode contratar meus serviços, sou uma pessoa de convivência pacífica, não gosto que mexam nas minhas coisas, nem que as tirem do lugar, não sou exigente, nem perfeccionista, apenas pequenos detalhes me enfurecem, também não suporto fios de cabelo pelo chão, meu piso é branco, em suma, preenchendo todos os requisitos entre em contato.

Rollmopis

sábado, 14 de julho de 2012

CORREDORS

...no corredor esperando por um leito, enquanto babava, entre enfermos, enfermeiras, muita gente de contas pagas, tendo que passar por mais uma prova, sem poder se jogar fora, sem poder, pacientes terminais olhavam para o nada, como que vissem uma passagem pra fora dali, de si, qualquer coisa menos o agora, com luvas infladas feito bola, não é possível brincar, aos pouco fui entendendo, calcanhares esfolados de tanta cama, bolha de sangue, entendi a sonda, vi o sebo, convivi com a murrinha, e aquele cheiro, o hálito que já não enjôa, ojeriza de outrora agora me faz pensar, um pensamento triste, não há nada de prático numa hora dessas, muitas práticas, táticas do jogo. Até hospital tem seus parasitas, seus hóspedes ilustres, os habituês, na cadeira de rodas sondava quem ia passando e indagava na medida que sua desconfiança crescia, "tem um pacote de bolacha aí?!" alguns diziam que ele havia quebrado a própria perna, é rir pra não chorar, tanta miséria, tantos guerreiros, tantos, vejo Lulas, Josés, Reinaldos, ovacionados como bravos, saibam que Antonio é foda, comeu pão sovado, feito rato, num canto, ele e tantos, bons, mas sem os melhores acompanhando, sem dignidade, implorando por exames, de cabeça raspada, costurada, no fio na navalha, de fraldas, punk! Nada de colorido, nem o lençol, apenas as feridas, expostos, fracos, empilhados numa sala, um feixe de sol entra, mas o frio não passa, sorte de quem vai, sofre quem fica, pena de quem tenta, mas não consegue partir, passar de porta em porta, ver gente boa, gente má, maltratada, magra, sem afeto, com expressão de nada, gente velha, gente nova, gente, uma garota que aparenta 13, outro acabou de casar, o gigante, vizinho de quarto, alemão, só faz esperar, os gemidos de dor são uma sinfonia dispensável, para quem escuta, pra quem sente é necessário, uma alívio temporário, as vezes imaginário, um alento em meio a tanto sofrimento, os sorrisos desaparecem a medida que as luzes se apagam, alguns poucos conseguem descançar, é então que constato, que a tristeza sabe falar...

Rollmopis

sábado, 5 de maio de 2012

MONÓLOGO DA RAIVA

...minha cabeça ta me matando, com dinheiro no banco, vivendo do trabalho, momento bacana, figurando entre velhos palhaços, atendo ao que me chamam, mas parece pouco o que faço, quero mais, não é desejo, é questão, preciso, já consigo ouvir o tic tac da vida me chamando pra brincar, se aproximando, o relógio não acelera, mas o som é ensurdercedor, ouço os que estão próximos, mas entre nós há espaço, um vão, onde passa tanta coisa, onde tantos se perdem, fui parar em outro planeta, sentia estagnado, fui, precisando de mais, essa folga entre mim e o mundo quando tento abraça-lo, me fez querer recomeçar, mas não do começo, daqui pra frente, flertando com as mudanças bruscas de direção, mudar os hábitos, espancar meu anjo da guarda, parar com a erva, mas nunca fumar tabaco, esses filhos da puta já me tomam dinheiro suficiente, preciso preencher, esse vazio e não mais os pulmões, e parar de beber, esse líquido incolor nefasto, uma forma bonita de dizer, cachaça do inferno! Que me faz pensar, sacolejar, me toma em seus braços, rodopiamos noite adentro, vemos a lua deitar sobre o sol, e me abandona na sarjeta, meu conforto, no fundo do poço de mim, no avesso do avesso, onde o feio é bonito e água é lodo, essa raiva que não passa, a culpa, não dela, nem da rua, saio do prumo sem sair de casa, preciso aprender a prestar atenção, em quem me atenta, quem pelo menos tenta, acho que nasci com raiva, acho que é isso, eu, disposto a ser um cara legal, sendo pressionado a ser um babaca, protocolos que só enchem o saco, burocracias que não levam a nada, não me vencerão, é só passar essa raiva, é só passar...

Rollmopis

domingo, 29 de abril de 2012

AREA 51

 
...saí determinado a comprar um colchão, minhas costas estavam me matando, fui procurar pelo bairro, pedi informação para um senhor, que me apontou logo a frente, a rua um tanto obscura, o dia estava noite, a chuva apertava, era sexta feira, uma sexta chuvosa, quando olhei para o prédio aparentemente residencial, vi ao fundo uma porta discreta, caminhei até lá, tentei colocar a mão na porta, que se abriu sozinha, o lugar me lembrava algum filme de ficção, parecia ser um escritório secreto da nasa, area 51 ou algo parecido, se é que algo parecido com algo que ninguém sabe se existe é parecido com alguma coisa, bom voltando ao raciocínio, lá dentro, todos de jaleco branco, tudo plastificado, móveis, sorrisos amarelos e os colchões posicionados, gente estranha, era a nasa porra! eu tinha certeza, não parava de suar frio, a coisa era comigo, seria eu um alienígena? as dores nas costas foram piorando, algo ia acontecer a qualquer momento, eles foram se aproximando, se engalfinhavam para ver quem faria o primeiro contato, saberia eu falar a lingua dos ETs? precisava tentar, um deles colocou a mão no bolso, fiquei atônito, será que o experimento começaria sem nenhum contato prévio? minhas mãos geladas, minha garganta seca, seriam os efeitos de algum tranquilizante colocado nas tubulações de ar? ele tirou uma caneta que parecia ser uma seringa, eu não podia arriscar, tinha que dar uma tacada certeira, algo que facilitasse a comunicação e ao mesmo tempo, me fizesse escapar desse experimento, nada me veio a cabeça, até que, disse, tem Havaianas?

- tem!

como eu poderia imaginar?
levei três pares.

Rollmopis